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IBERIANA

En bydel genfødes

kultur, Portugal Posted on 04 apr, 2018 21:12:39


I den østlige udkant af Portugals næststørste by, Porto, løber en lille gade, Rúa de Barão da Nova Sintra fra metro-stationen Heroísmo ud mod Douro-floden.


Den baron, som gaden er opkaldt efter, var en driftig handelsmand i tekstilbranchen, José Joaquim Leite Guimarães der stammede fra Nordportugal. I 1825, som 17-årig, tog han til Brasilien, og efter der at have skabt en stor formue, vendte han tilbage til Europa, hvor han interesserede sig levende for, hvad der rørte sig i tiden – midt i det 19. århundrede. Han erhvervede et gods ved Lissabon, som han kaldte “Nova Sintra” og det var som godsejer der, at han blev adlet af kong Luíz I.
Som moden mand bosatte han sig i Porto, hvor han bidrog til byens modernisering og forskellige veldædige institutioner, deriblandt skolen i Rúa do Barão de Nova Sintra. Baronens buste våger over indgangen til Colégio do Barão de Nova Sintra:

På den anden side af gaden finder vi Aguas do Porto, byens vandværk, anlagt i 1932.


En solvarm formiddag sidst i marts gik jeg ned ad denne gade og fandt en gammel park, som nu er sat smukt i stand. Det er en rigtig botanisk have, med en mangfoldighed af prægtige vækster.


Fordi terrænet ned mod floden på dette sted stiger stejlt, er hele parken lys og luftig, og der er overalt udsigter over Douro og jernbanelinien, som her fører gods til og fra Campanhã-stationen.


Her og der kan man standse op ved flotte gamle fontæner. Parken er nemlig en slags “vand-museum”.


Man har flyttet byens brønde og fontæner hertil. Efter anlægget af vandværket skulle de ikke længere forsyne de forskellige kvarterer i Porto med vand, som tidligere blev båret hjem i store krukker.


Ved de enkelte fontæner står skilte, der fortæller, hvilke kvarterer, de stammer fra, og hvilke kilder, der fyldte dem med vand.

Parken er åben hver dag fra 10-18, i weekenden fra 9-19. Der er gratis adgang, og metroen går som sagt næsten til porten!


Tilbagevejen til Portos bymidte via Campanhã-stationen kan lægges gennem den lille Miraflor-gade, som nu er i opbrud.


Imellem husene går lange passager helt over til parallel-gaden.


Her er plads til nytænkning og kvartersløft!


Manuela Matos Monteiro og João Lafuentes har indrettet galleri og atelier “Espaço Mira” i et forladt magasin.


Flere følger efter med initiativer, der bringer liv i de forladte magasinbygninger og skaber et nyt “neuralgisk center” for kulturlivet i Porto.

Kilder:

Águas do Porto

Mariana Correia Pinto: Porto, última estação. FFMS 2017



Manual para não emigrar

Em português, økonomi, Portugal Posted on 07 apr, 2017 16:31:33


(Se udførlig dansk version: Manuel de Oliveira)

Viseu é uma cidade do centro norte de Portugal. Na sua feira de antiguidades estava à venta este livro. Interessou-me imediatamente o título: “A Escola Primária e a Emigração Portuguesa: O Manuel de Oliveira.” Seria um manual para preparar os alunos à emigração? O livro obviamente pertencia ao género misto de novela e manual prático e parecia-me interessante estudar os conceitos e métodos pedagógicos utilizados no norte de Portugal faz 100 anos. Por isso comprei o livro e descobri que o doutor Simões Lopes não tinha escrito um livro em favor, senão em contra da emigração!

A importancia da escola no pensamento republicano
Neste livro desdobra-se uma visão republicana. A visão em questão formou-se já durante a monarquia, entre políticos e pedagogos renovadores. Achavam que a nova sociedade sonhada precisaria de uma população alfabetizada, porque para viver duma maneira civilizada e participar no processo democrático o cidadão deve saber ler, escrever e contar. Curiosamente, encontramos a mesma ideia no Acto Colonial de 1930 e a Carta Orgânica do Imperio Colonial Portugués de 1930, já no Estado Novo: a primeira condição para um africano ser assimilido era: Saber ler, escrever e falar portugués fluentemente. Só em segundo lugar exige-se ter meios suficientes para sustentar a sua familia. (Eduardo Mondlane, Lutar por Mozambique.)


O livro de Lopes vai dedicado a Bernardino Machado, duas vezes presidente da Primeira República Portuguesa e grande defensor da escola e do ensino como instrumentos para formar o ”homem novo”, o cidadão ideal da República. Machado era físico, catedrático na Universidade de Coimbra, e já durante a Monarquia publicou vários livros sobre pedagogia. Os políticos da Republica acreditavam que era de primeira importância lutar contra o analfabetismo para libertar ao povo e acondiciona-lo para ser cidadãos responsáveis, e ao mesmo tempo introduziram a escola secular, independente da igreja, que foi considerado uma ferramenta de doutrinação.

(Nisto os princípios da República liberal portuguesa de faz 100 anos parecem-se com a política da União Soviética, de China, de Cuba depois da Revolução – e a do Estado Novo: nos regimes totalitários também achava-se que na escola se poderia formar uma mentalidade conforme à ideologia do regime. A diferença é que nas sociedades totalitários as mudanças tendem a passar da cima abaixo, e o ideal liberal pretende facilitar o processo inverso.)

O contexto histórico-económico do livro

O livro foi publicado pelo Centro Comercial do Porto em 1914, quer dizer no quarto ano da primeira republica, e dirige-se expressamente a pessoas do norte de Portugal. Ali muitas famílias tinham naquele momento sérios problemas económicos, em grande parte a causa do sistema de minifúndios, e a emigração, sobre tudo para o Brasil, apresentava-se como uma solução aos problemas.


A maioria dos que emigravam eram jovens rapazes. Infelizmente, no Brasil houve uma grave crise económica, e o governo republicano de Portugal procurou parar a emigração. Neste contexto aparece nosso livro.
O autor do livro, Lopes, percebe que para subsistir nas pequenas aldeias do Minho, não se pode seguir os padrões tradicionais: é preciso introduzir métodos modernos e uma organização solidária local na agricultura da região. Trata-se de aproveitar o potencial não explorado de maneira científica e racional.

A utopia: criação duma aldeia ideal

Com este fim escreve o livro, como uma ficção utópica, mas verosímil. Escolha como protagonista um rapaz, O Manuel, que depois de terminar a escola primária é destinado a emigrar para o Brasil. Mas convence ao seu pai de que seria possível viver dos produ­tos locais, se pode convencer aos vizinhos para participar. O livro contem todas as pale­stras que O Manuel da em frente da casa familiar. Cada semana vêm mais vizinhos para escuta-lo.


É fascinante imaginar a realização do projecto, organizado como cooperativo: os aldeanos edificam celeiros e um chiqueiro comum para todos os porcos da aldeia, construem uma nitreira, compram em comum sementes, máquinas, fertilizantes artifici­ais, e organizam em comum transporte e venta dos produtos.

A importância do professor
Com muitos mais detalhes conta-se como já ninguém precisa emigrar graças ao que o Manuel aprendeu na escola primária. O instigador do cambio é o seu professor ilustrado e idealista, que lhe presta os seus desenhos e provas geológicas. Concorde com isto, a dedicatória do livro vai dirigida não só às filhas do autor e à toda Escola (com maiúscu­la) portuguesa, senão ao Professorado. Os homens da República compreendiam que era importante formar professores e professoras, e já antes houve experimentos pedagógicos nas escolas e escolas móveis, e intentos de alfabetização geral.
Em 1882 o chamado método João de Deus é decretado obrigatório, com o uso genera­lizado da sua cartilha maternal. Manteve-se nas escolas móveis até 1921.

Crítica 1. O que passa com o saber mudo?
O Manuel do livro tem sucesso ao persuadir seus vizinhos para mudar de costumes na agricultura. Mas na realidade imagino que haveria problemas. Por exemplo: antes tin­ham cabras, os pastores iam com elas ao monte. No programa de Manuel sacrificam as cabras para comprar vacas e fabricar manteiga e queijo holandês. Para isso é necessário aprender novos métodos, novas habilidades, uma coisa que não se obtém de um dia ao outro. Imagino que alguns vizinhos resistir-se-iam a abandonar o saber e a experiência obtidos durante gerações, o que se chama” o saber mudo”.

Crítica 2. O que passa com os baldios?
Eu acho que um elemento problemático do projecto do Manuel é que para obter mais solo cultivável expropria os baldios e reparte o solo entre os vizinhos, porque opina que” não é rico aquele que possui muito, mas aquele que se contenta com o suficiente”. Continua:” Havemos de ser aqui uma família de bons irmãos” – e eu acredito que é uma suposição optimista demais. Nas aldeias era costume utilizar a floresta e a charneca em comum, e eu duvido de que fora possível chegar à uma decisão unânime sobre a sua di­visão em parcelas familiares segundo um principio justo. Também pode­mos duvidar se seja sustentável cambiar cabras por vacas numa região montanhosa.

Educação. Uma Mega-tendência

Hoje em dia, apostar pela Educação é uma Mega-tendência globaliza­da. O Brasil, muitos países emergentes de Ásia, a Índia e o Brasil, apostam seriamente na educação tecnológica de suas multidões de jovens cidadãos. Tambêm Portugal, no seu austero orçamento estatal para 2017, aumenta os recursos à inovação e à qualificação da escola pública. Assim se formarão cidadãos competentes, que esperamos poderão contribuir ao bem-estar da sua nação – e se tiveram que emigrar, terão qualificações para subsistir no estrangeiro.